Mais uma vez o combustível

Não faz muito tempo falamos neste espaço sobre equalização de válvulas injetoras. Na época, abordei diversos casos que peguei em curto espaço de tempo de um modelo específico, o Toyota Corolla. Volto ao tema, porém com foco um pouco diferente: combustível com qualidade duvidosa.

Em alguns motores da Honda, os filtros internos do bico injetor estavam totalmente derretidos

Em uma semana, nada menos do que oito carros diferentes, de diversas marcas, com o mesmo defeito: falha no motor. Nos primeiros, realizamos diversos testes para determinar o diagnóstico: cabos e velas de ignição, pressão da bomba de combustível, bobina etc., até que decidimos verificar os bicos injetores.

Nestes primeiros veículos (assim como nos demais), ao menos um dos bicos estava travado, não injetava combustível. Realizamos, assim, uma limpeza e equalização das válvulas, trocamos o filtro interno e os demais itens que fazem parte do reparo.

Foi interessante notar que nos modelos da marca Honda, o filtro do injetor estava totalmente derretido e nem sempre foi possível salvar o componente. Outro detalhe: não eram carros velhos e de alta quilometragem, pelo contrário. E o que isso significa? Combustível de qualidade duvidosa.

Infelizmente é quase impossível saber o que há misturado no combustível sem uma análise técnica, pois o custo é muito mais alto do que a manutenção de veículo. Mas, pelos sintomas e diagnóstico, fica claro que esse é o problema.

Quando não é possível
recuperar o injetor,
a solução é trocá-lo

Em todos os casos que atendemos, esvaziamos o combustível do tanque e abastecemos com combustível de um posto que conhecemos e sabemos que atende as necessidade. Mas, nem sempre o dono do carro faz o mesmo. E isso causa muito constrangimento para as oficinas, pois o defeito volta após algumas semanas e acabamos tendo de refazer o serviço, geralmente em garantia do anterior.

Ferramenta para retirada do filtro do injetor (esq), injetor (centro) e kit de reparo para bicos injetores

Esse aumento no número de casos atendidos revela que o motorista precisa ficar mais atento na hora de abastecer. Nossa recomendação é encontrar um posto de confiança e sempre pedir a nota fiscal. Deve-se, ainda, evitar combustível muito mais barato do que a média, pois não existe milagre. E sempre que desconfiar, o consumidor deve denunciar o estabelecimento para a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), pelo telefone 0800 970 0267.

O custo do conserto parte de R$ 200 (limpeza simples), mas a conta pode ser muito maior, caso seja preciso trocar os bicos injetores.

Sergio Torigoe

Sergio Torigoe

Engenheiro mecânico, proprietário do Centro de Diagnóstico Automotivo Torigoe, na Rua Serra de Botucatú, 2724, Tatuapé. (11) 2097-8440

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