Sono e fadiga são a terceira causa de acidentes de trânsito no Brasil

Ter uma boa noite de sono traz benefícios ao organismo que nenhuma outra atividade é capaz. A responsável por isso é a melatonina, conhecida como hormônio do sono. Ela regula o sono e repara as células, expostas a estresse, poluição e demais danos, durante as horas de descanso. Porém, quando se deixa de dormir, são muitos os malefícios, sendo essa atitude responsável, inclusive, por acidentes de trânsito.

Estudos mostram que a relação entre a quantidade de horas dormidas e o tempo que se está dirigindo influencia diretamente na qualidade da condução. Se o condutor dormir cinco horas e meia, a chance de causar um acidente de trânsito é 10 vezes maior do que quem dormiu por oito horas. E quanto menos se dorme, mais se aumenta o risco. Se o repouso for de quatro horas e meia, o risco sobe para 12 vezes; quando o descanso é de apenas três horas e meia, o perigo salta para 20 vezes.

A Perkons ouviu especialistas no assunto para saber quais as recomendações e cuidados que os motoristas devem ter para não correrem riscos ao volante. “A privação do sono prejudica os sistemas imunológico e hormonal, além de não restabelecer os neurotransmissores, o que traz consequências como falta de concentração, atenção, raciocínio e, consequentemente, diminuição das atividades necessárias para conduzir um veículo”, explica Dirceu Rodrigues Alves Junior, médico e diretor de comunicação da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET).

Segundo o médico, no Brasil, 60% dos acidentes rodoviários envolvendo motoristas profissionais, portadores das carteiras de habilitação C, D e E, são causados por sono (42%) e fadiga (18%). “Se considerarmos todos os acidentes ocorridos em rodovias, áreas rurais e urbanas, sono e fadiga são a terceira maior causa de acidentes de trânsito no país, ficando atrás apenas do uso de álcool e drogas ao volante (2º lugar) e do excesso de velocidade (1º lugar)”, revela Dirceu Alves.

Para não fazer parte das estatísticas, a orientação é simples: se o condutor não puder relaxar o suficiente antes de dirigir, não deve pegar a estrada. O neurologista Gustavo Franklin orienta que o ideal é dormir a cada 14 horas e ter uma noite de sono entre sete e oito horas seguidas.  “Um indivíduo acordado a mais de 20 horas, ou seja, privado de sono, manifesta efeitos semelhantes à de uma pessoa embriagada. Táticas como tomar café, ligar o rádio e o ar condicionado fazem com que o motorista fique mais atento por breves instantes, disfarçando o sono, mas não o evitando ou o tratando de fato. O pior é que ele não irá perceber o momento em que esses artifícios passam a não fazer mais efeito e o primeiro sinal pode ser, justamente, um acidente”, alerta o neurologista.

Descansar é preciso

Um grupo de risco quando se trata de privação de sono ao volante é o de motoristas profissionais. “A preocupação é grande com esta categoria, que costuma dormir muito pouco e em condições inadequadas. Descansar cerca de quatro horas por noite, hábito comum entre eles, não produz a quantidade ideal de melatonina e favorece o desenvolvimento de doenças e o risco de acidentes nas estradas”, comenta Alves Junior.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que nas rodovias federais, em 2017, 3.796 acidentes foram causados por condutores que dormiram ao volante. Isto resultou em 3.629 pessoas feridas e 371 mortos.

Antonio Puga

Antonio Puga

Antonio Puga é jornalista, especializado no setor automotivo

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