Compass Trailhawk é urbano, mas sabe enfrentar a lama

A primeira coisa que vem a sua cabeça quando entra no Compass é que ele tem todo o jeito de um veículo urbano. Daqueles que rodam muito bem na cidade, tem suspensão elevada para escapar dos buracos, oferece muito conforto para motorista e passageiros, e traz um pacote de tecnologia de atender o mais exigente dos seres humanos.

Com aparência imponente e robusta, o SUV é alto o suficiente para se destacar na paisagem das ruas

Mas uma olhadinha no console central, bem perto da alavanca de câmbio há um botão que é o passaporte para a aventura. É o sistema de tração que oferece ao motorista opções para enfrentar todo o tipo de terreno com cinco modos:  snow (pisos escorregadios), mud (lama), sand (areia) e rock (pedra), sem contar o controle eletrônico de descidas e o modo 4×4 Low. Tudo isso faz parte da versão Trailhawk. Aliás, traz muito mais de série como câmera de ré, controle de cruzeiro adaptativo- reduz a velocidade do carro quando detecta outro na frente- alertas de ponto cego, assistente para partida em subida, computador de bordo, controle anti -capotamento, ganchos para amarração de reboque e muito mais.

Á direita no volante os comandos do controle de cruzeiro adaptativo; à esquerda, botões do computador de bordo

Foi nessa versão com espírito off-road, que o Farol Alto fez a avaliação. Rodando entre cidade, estrada e terreno irregular (leia-se, terra, buracos e pedras), o Compass Trailhawk mostrou que sabe conviver em dois mundos sem o menor problema.

Vida dupla
A aparência externa do SUV é imponente e robusta, além de ser alto o suficiente para se destacar na paisagem das ruas. Por dentro vale o conforto e bom gosto no acabamento. Bancos em couro, plástico de qualidade, espaço no banco traseiro para três pessoas, nada de joelhos roçando nas costas do motorista ou do carona.

Painel conta com tela configurável de TFT, colorida, de 7 polegadas

Rodando na cidade, o Compass Trailhawk faz exatamente o que se espera de um SUV com o espírito urbano. Boa dirigibilidade, conjunto de suspensão capaz de absorver com sobra os ressaltos do piso, o nível acústico é muito bom, não há invasão do motor na cabine.  Para o motorista que é atento, pero no mucho, o SUV traz sensores que avisam quando outro veículo está perto demais. Na estrada o sistema é ótimo e auxilia bastante, mas em centros urbanos é capaz de enlouquecer a pobre alma que está dirigindo, além dos ocupantes do veículo.

Apesar de o entre-eixos não ser muito grande, 2,64 m, o espaço para pernas no banco traseiro é bom

Em compensação os retrovisores têm alertas de ponto cego, sistema já existente em modelos de outras marcas, mas que é um grande auxiliar quando se está trafegando na cidade, onde invariavelmente os motoboys tiram “fino” do seu carro.

Quando o teste passa para rodovias, é possível observar ainda mais o desempenho.  A retomada é boa, se for levado em conta o peso do veículo, 1.750 quilos. Mas ainda que o câmbio automático atenda perfeitamente, utilizar o sequencial deixa o grandalhão mais interessante.

O porta-malas tem capacidade para 390 litros

E quando o assunto é buracos, pedras e poeira? Para quem não se preocupa de colocar um SUV de R$ 158.990 para enfrentar um terreno irregular, vai perceber facilmente que o DNA trilheiro não ficou escondido. Ele enfrenta com determinação todo tipo de terreno, ou seja, esta versão do Compass tem vida dupla.

Sem medo de enfrentar a buraqueira e com o sistema de tração em pedra e lama o Trailhawk superou os obstáculos com determinação, mesmo com todo o sacolejo do trajeto. O importante nesta parte da avaliação, é que o sistema de tração atende perfeitamente as necessidades do motorista. Não se pode esquecer que o comprador deste tipo de veículo, mesmo sabendo da possibilidade que ele oferece para enfrentar terrenos irregulares, não irá enfrentar trilhas que exijam todos os recursos.

Em resumo, o Compass Trailhawk é aquele típico utilitário esportivo no melhor estilo americano, com bom espaço (embora o porta-malas não chegue a ser tão surpreendente em termos de espaço), traz um pacote tecnológico bem atraente, não chega a ser “beberrão” em termos de consumo, ao longo da avaliação ficou dentro da média de 9,6 km/l.  

Ficha técnica
Jeep  Compass Trailhawk
Motor:  dianteiro, transversal, diesel, quatro cilindros em linha, injeção direta Multijet II,1.956 cm3, 170 c.v. a 3750 rpm, diâmetro X curso: 83 mm x 94,4mm, taxa de compressão: 16,5:1
Câmbio: automático de 9 marchas
Tração: Integral
Direção: assistência elétrica, diâmetro giro 11,3 m
Suspensão: Na dianteira McPherson com rodas independentes, braços oscilantes inferiores com geometria triangular e barra estabilizadora, enquanto na traseira   McPherson com rodas independentes, links transversais/laterais e barra estabilizadora
Freios: a disco ventilado, com pinça flutuante e um cilindro de comando por cada roda, diâmetro X espessura- 305 x 28 mm.
Rodas e pneus: liga de alumínio, 195/55 R16
Dimensões: comprimento 4416 mm, largura- 1819 mm, altura- 1654 mm, entre-eixos- 2636 mm, peso-1736kg, porta-malas- 390 l, tanque de combustível- 60 l
Desempenho: velocidade máxima- 194 km/h, aceleração- 0 a 100 km/h em 10 segundos
Consumo PBE-V- Inmetro: urbano- 9,80 km/l. Estrada- 11,40 km/l

 

Antonio Puga

Antonio Puga

Antonio Puga é jornalista, especializado no setor automotivo

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