Quando a cambagem vale a pena

O alinhamento de direção é um serviço essencial a ser executado periodicamente em um automóvel. Alguns modelos desalinham (perdem os valores ideais de geometria) com facilidade, então é interessante conferir as medidas (alinhar) a cada 10.000 km, que é também um intervalo interessante para fazer o rodízio dos pneus.

Esse serviço se torna ainda mais importante quando digo que, ao fazer o alinhamento e rodízio, fazemos também o balanceamento das rodas antes de montá-las na nova posição, e além disso temos uma visão do desgaste dos freios e ainda avaliamos as folgas de suspensão.

Dispositivos de correção de cambagem como o acima e ao lado são comercializados por empresas tão responsáveis e competentes como fabricantes de autopeças e montadoras

Temos uma grande dificuldade hoje em relação às especificações de alinhamento, que as montadoras insistem em não divulgar no manual do proprietário, prejudicando a qualidade da manutenção, afetando não só o técnico como também o usuário do veículo. Essas especificações são fornecidas por empresas especializadas em vender informações técnicas de automóveis e ou pelo fabricante do aparelho de alinhamento, porém já confrontei informações e já verifiquei divergências de fontes diferentes.

A necessidade da alteração da medida da cambagem varia de acordo com a condição de dirigibilidade do veículo. Quando a reclamação é de que o carro puxa, muda de trajetória quando soltamos o volante, algumas vezes só pode ser corrigida com uma diferença de cambagem entre o lado esquerdo e o direito, mas sempre respeitando os limites das especificações. Mas porque não substituímos as peças que estão deixando a cambagem fora da especificação?

Não é bem simples assim, na maioria dos casos. Você pode ter a certeza de que deve trocar uma peça simples e “de baixo custo”, como pode ter que trocar várias peças de “alto custo” (temos que lembrar dos carros de luxo, cujas peças têm custo elevado e dificuldade de acesso) inviabilizado a manutenção. Podemos encontrar quadro de suspensão e até chassis deformados.

Alguns veículos têm recursos de fábrica para se executar correções, mas essas correções também devem ser cobradas quando demandam mais tempo de mão de obra (não esqueçam que o técnico é prestador de serviço e deve ser remunerado).

Existem outros recursos criados para correção da cambagem, que são dispositivos como calços, parafusos reguláveis, arruelas especiais, buchas e outros, por empresas tão responsáveis e competentes como fabricantes de autopeças e montadoras, e que já são comercializados e utilizados há tempos em países como Estados Unidos, por exemplo. Foram desenvolvidos para solucionar problemas de alinhamento sem ter a necessidade de substituir indevidamente peças ainda funcionais e de alto custo, e também para compensar pequenas deformações, e não para enganar e colocar o usuário do veículo em risco.

Pense e analise: quando alguém afirma que só a substituição de peças garante a segurança, será que não há interesse das montadoras e dos fabricantes de autopeças? Qual ou quais serão as questões verdadeiras?: Nossas pistas são realmente muito ruins? Os carros aqui vendidos estão adequados às nossas condições? O mercado de pós-venda está preparado para atender às necessidades do usuário? Os técnicos reparadores são irresponsáveis e desqualificados e só querem o seu dinheiro? O condutor dirige de forma errada e negligente prejudicando o seu veículo? Pense e analise.

Marcelo Navega

Marcelo Navega

Marcelo Navega é proprietário da Navega Mecânica
Rua Gaivota, 860 – Moema
(11) 5055 9992
www.navegamecanica.com.br

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